– Aspectos da indústria e do consumo de Whisky na Índia!!!

Foi no séc. XIX, sob influência da colonização Britânica, que nasceu o whisky na Índia.

O indiano, filho de pais ingleses, Edward Abrahan Dyer, fundou uma cervejaria em Kasauli, no final da década de 1820, para matar a sede de colonizadores e soldados Britânicos que dominavam o território Indiano.

Logo em seguida, em 1835, a cervejaria Dyer foi transferida para a cidade de Solan, onde havia maior suprimento de água de nascente, ficando o imóvel em Kasauli transformado numa destilaria que começou a produzir em 1855.

A ambição declarada era “produzir um whisky de malte tão bom quanto o whisky escocês”, embora proveniente de terras altas muito mais elevadas.

Para isso Dyer trouxe destiladores desmontados da Escócia até a Índia, navegando pelo Rio Ganges, até onde pôde, e em seguida em carroças puxadas por bois.

A importância de Edward Dyer para a produção de bebidas na Índia é sem comparação! Foi o responsável por criar a primeira marca de cerveja da Ásia, a “Lion Beer” e o primeiro Whisky da Índia, o “Solan n°1”, ambos ainda em produção, mas hoje pertencentes à “Mohan Meakin”, um conglomerado de bebidas e alimentos Indianos.

O Solan n°1 é um whisky feito com cevada maltada.

A maioria das bebidas destiladas indianas rotuladas e vendidas no mercado interno como “whisky” têm consistência mais próxima à do rum, por serem destiladas a partir do melaço de Cana de Açúcar, enquadrando-se na categoria de bebidas alcoólicas denominadas “bebidas alcoólicas estrangeiras fabricadas na Índia” (IMFL, na sigla em inglês). 

Alambiques da Destilaria Amrut.

Tais bebidas são geralmente misturadas com whisky de grãos nacional (cevada, milho, centeio, trigo e até mesmo arroz!), ou whisky importado.

As marcas de bebidas alcoólicas exportadas da Índia, que predominantemente misturam aguardente à base de melaço com aromatizantes ou especiarias, não podem ser comercializadas no Reino Unido, na União Europeia e até aqui no Brasil, como “whisky”, pois exigem que os produtos rotulados como “whisky” sejam destilados a partir de grãos de cereais. 

Historicamente a produção de whisky na Índia esbarrava em questões éticas.

Difícil sobrar grãos para serem destilados num país com escassez de alimentos.

Mas no começo do séc. XXI, com a economia aquecida e produção de grãos em alta, a indústria do whisky indiano decidiu evoluir.

Em 2004, a Amrut Distilleries, colocou à venda em larga escala, seu single malt homônimo, Amrut, que foi e é, um sucesso de vendas!

Isso se deu devido ao excesso de cevada maltada existente para produzir seus Blendeds.

Desde lá a Amrut vem produzindo continuamente single malt de cevada plantada nos pés da Cordilheira do Himalaia.

Tanto que resolveram, em 2009, lançar uma nova versão de single malt na Terra dos Whiskies, a Escócia, e mais uma vez obtiveram enorme sucesso com seu Amrut Fusion, uma “fusão” de cevada indiana (75%) e cevada turfada escocesa (25%), Com 50% ABV, sendo inclusive eleito por Jim Murray e sua Bíblia do Whisky, como o terceiro melhor whisky do mundo na edição de 2010.

De 2004 pra cá, várias destilarias indianas passaram a ter uma linha premiun, fabricando e engarrafando single malt, como por exemplo a John Distilleries, desde 2008.

E as exportações de single malt Indiano estão numa ascendente à medida que sua qualidade é divulgada e apreciada.

O setor conta ainda com o apoio da Associação Indiana de Whisky de Malte (IMWA) , formada em 2024 para promover padrões de qualidade para os whiskies de malte indianos. 

Existem Leis Federais e Leis Estaduais, inclusive Estados que proíbem a produção de bebida alcoólica (!!!).

Alambiques da Destilaria Paul John.

Cada país é responsável pela própria legislação sobre whisky.

Na Índia o normal e mais consumido internamente é o diferente para o whisky produzido no Ocidente. Um mercado imenso e pouco explorado por empresas estrangeiras.

O motivo?

 Tributação excessiva.

 Embora aja negociações, elas ainda são muito incipientes.

A Índia ainda é bastante restritiva quanto ao whisky que entra.  Tendo seus consumidores, aproximadamente 97%, voltados para a própria produção interna, ou seja, misturas com álcool neutro ou de Melaço (conhecido como ENA), com whisky de grãos.

Mas nos últimos anos o mercado está amadurecendo e ficando mais exigente sobre whisky.  O whisky, como conhecemos, está em franca expansão.

Apesar da tributação excessiva, a Índia recentemente ultrapassou a França como maior consumidor de whisky Escocês.

Juntando todo e qualquer tipo de whisky (aqui considerado o produzido na Índia mais o importado), a Índia consome quase metade de todo whisky engarrafado no Planeta!!!

O país mais populoso do mundo também é o maior consumidor de whisky!

A maturação, no geral, segue a regra de no mínimo um ano em Barris de Carvalho. Sim, um ano!

Mas aqui também, cada vez mais estão se adequando ao padrão escocês para atingirem mais mercados.

Em média, devido ao clima, um ano de envelhecimento na Índia corresponde a três anos na Escócia.  Principalmente no sul do país.

A taxa de evaporação do destilado dentro do Barril (Angel’s share), também é muita elevada.  De até 16% (Sul da Índia), contra 2% do Whisky Escocês.

Raramente são engarrafados com declaração de idade e possuem, em média, 4 ou 5 anos de envelhecimento.

Qualquer whisky com notas de turfa na Índia, significa que a cevada turfada usada é Escocesa.

O teor alcoólico pode variar entre 37% e 50% ABV.

A Índia é o maior mercado de whisky em volume do mundo, representando quase metade das vendas globais. E dentro desse mercado impulsionado pelo volume, uma mudança significativa está em curso: os consumidores estão migrando para produtos de maior valor, preferindo single malts e blends de alta qualidade.

Essa evolução, esse amadurecimento, está remodelando a forma como as destilarias indianas produzem e posicionam seus produtos, além de abrir novas oportunidades globalmente.

O futuro está sorrindo para a Índia.

स्वास्थ्य ou Swasthya!!!

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